Essa camereta abaixo é a mais nova integrante da minha pequena “coleção”. Acho que posso chamar assim. Sempre gostei de fotografia. E depois de (re)descobrir a fotografia analógica, tenho gostado de experimentar, e usar novas formas de captar imagens.
A pequena é uma Vivitar PN2011. Procurei artigos, verbetes na Wiki, e até na Camerapedia, mas não encontrei nada relacionado à ela. Numa busca pelo Flickr, encontrei vários adeptos, com fotos bem bacanas. As lentes dão um resultado muito legal nas cores, e ela tem um recurso muito interessante, que é o fotografia panorâmica. Na traseira tem um pequeno botão, que acionado, fecha duas tarjas pretas na frente da lente, o que cria um efeito cinematográfico, eu diria, nas fotos. Muito, muito leve. Toda de plástico e nem requer pilhas. Só botar filme e sair disparando.
Ela tem uma fotometragem fixa. O disparador (que é a velocidade de abertura) fica em 1/125, ou seja, 0.008 de segundo. O diafragma é fixo em f/8, o que em plena luz do dia, é uma configuração boa para fotografar. Fim do dia, tardinha, já não rola tanto. Encontrei uma imagem bacana para ilustrar qual é a abertura de que falo.
O f/8 a que me refiro acima, é o círculo do meio. Para a direita, o valor aumenta e a abertura diminui, e à esquerda, quanto maior a abertura, menor o valor. As lâminas se fecham, ou abrem, e é por essa abertura que a luz entra, sensibiliza o filme e cria a imagem fotográfica. O 0.008 segundo é o tempo dessa abertura.
Pois bem, acho que consegui explicar um pouco sobre a dita. Agora, seguem abaixo as primeiras fotos feitas com ela.
Conversando com uma amiga, falávamos sobre um assunto que até comentei aqui tempos atrás. Sobre a visão que as pessoas tem da fotografia. É complexo e muito amplo, pois essa prática tem várias aplicações, seja documental, como instrumento cronológico familiar (festas de aniversário, ocasiões especiais, reuniões), eventos, arte, etc. Cada aplicação/uso tem seus motivos, e quando se apega à um deles, fica naquela de achar que não serve pra mais nada. Algumas acham esquisito fotografar coisas banais, como um pedaço da cidade, céu, nuvens… e vivem me pergutando o porquê disso. Eu, sinceramente não sei ao certo a resposta. Sei que gosto das possiblidades de criação que a fotografia proporciona, seja ela LowRes, publicitária, jornalística, artística, e etc - também. É uma gama infinita de opções que se tem. Hoje em dia, com recursos digitais, fica fácil, prático, rápido e as infinidades, que já existiam na fotografia analógica, se multiplicaram absurdamente com a fotografia digital. Nem diria se multiplicaram, mas facilitaram, pois a base de toda a fotografia digital é a analógica, então, todos aquelas “mirabolâncias” fantásticas do Photoshop, vêm das possiblidades que já se aplicavam à prática antiga.
Auto-retrato nas portas da Credinova. Nova Serrana, 08/07/08.
Um outro ponto sobre o qual falamos, foi sobre o porquê de se querer fotografar com filme, pelo fato de nas digitais ser mamão no mel fazer tudo, muito mais rápido, sem margem de erro e com qualidade quase perfeita.
Por que? [ Eu nunca sei se é junto ou separado, se tem acento ou não, então fica assim.
]
Eu particularmente, gosto das duas práticas. A digital, pelos motivos que citei acima, e para se trabalhar com publicidade, nada melhor. Agiliza, economiza, sem margem de erro e bla bla bla. Apesar de que muita gente profissa ainda usa filme para fotografar. Aí tem que ser ninja ao extremo. Como sou um mero mortal, me curvo sobre a tecnologia.
Mas, trabalhar/fotografar com filme tem seu charme. Conhecer os princípios básicos da fotografia, luz, os processos pelos quais tem que se passar, para chegar num resultado final legal é um tesão fantástico. Isso cai naquilo que falei das possibilidades de criação que esse lance nos proporciona.
O Bresson tem uma chamada Martine Legs. Referenciei (ou reverenciei?) e fiz a Lara Leg’s.
No caso da Trip, da Smena e da Vivitar, é que elas são máquinas amadoras, com poucos recursos, e isso nos força a exercitar mais o olhar. Perceber melhor o que se fotografa, ficar mais atento à tudo a sua volta. Os olhos ficam sempre atentos, para todo e qualquer enquadramento, para que se pesque sempre o melhor peixe. Com as digitais, dá pra fazer isso, mas com a impossibilidade de erro, o lance fica banal, não se tem preocupações, todo momento por ser uma foto perfeita (e é fantástico isso - também). Então, se posso praticar isso da mesma forma com duas tecnologias distintas, porquê escolher uma que se dá mais trabalho? Talvez nem seja pela questão do trabalho em si. Acho que é a incerteza. Isso, incerteza. Porque trocar o certo pelo duvidoso?
Esquina da rua Padre Libério com a São José. Perto do Bar do Tarzan. Nova Serrana, 08/07/08
Com todas estas facilidades digitais que surgem todos os dias, muito se perdeu, penso, em questão de aproveitar melhor, ou apreciar, e ainda, contemplar melhor tudo à nossa volta. Comentamos às vezes na faculdade, sobre o tempo em que CD era coisa de rico, e a gente sempre ouvia vinil, K7 e achava o máximo sempre que conseguia encontrar ou comprar um. Ficar 15 dias esperando o pagamento para comprar um disco novo. Isso no caso dos meus amigos mais velhos, eu nunca comprei um LP, fiquei sempre na K7. Lembro que comprei numa feira de sábado, em NS, uma fita do “Use You’re Illusion II”, do Guns. Voltei pra casa maravilhado e ouvi a mesma fita o fim de semana inteiro, num radinho vagabundo. Mas, aquilo era o céu. A fitinha rodou meses e meses. O tempo corria diferente.
Cinema? Só quando rolava algum na Tela-Quente, Cinema em Casa ou similares. Quando rolava, era o céu também. Mas, porque to falando do passado, de música e de cinema, se o que eu quero falar é sobre fotografia?
Auto-retrato na vitrine do Sucão Lanches, na Praça Ana Rosa (Savon), com a Frei Anselmo lá atrás, refletida.
Vejamos, o tempo corria diferente, porque as coisas nos chegavam num ritmo mais lento. Havia todo um ritual por trás de todas as nossas ações. A ansiedade tomava conta da gente e quando as coisas aconteciam/surgiam, era fantástico. A significação, ou a relação da gente com as coisas era diferente. Era mais simbólico e importante. É isso que tento dizer sobre a fotografia com filme. Todo esse ritual de aprender as técnicas, conhecer o equipamento, escolher o filme adequado, colocá-lo na máquina, pensar e calcular antes de um disparo, ou até mesmo disparar sem saber o resultado, para que só depois de revelado, saber como ficou, cria toda uma atmosfera mais significativa em torno da foto.
Veja bem, não estou dizendo que esta prática seja melhor que aquela. A foto digital é fantástica. Mas, penso que as facilidades (e isso nem só na fotografia, mas em relação à entretenimento, tudo ficou fácil demais), a saturação de opções esvazia de sentido as nossas relações com as coisas. Fico muito banal. É rápido, fácil, então não se preocupa em manter. Há sempre algo novo, melhor que o anterior, para consumir, desgastar e passar para a próxima, sem refletir sobre o que é, porque é e como é. Um disco, filme, um livro, todos novos, todos os dias. É maravilhoso ter acesso à isso, fácil e rápido. Mas há que se frear às vezes. A ansiedade faz parte da nossa natureza. Quanto mais, melhor. Quanto mais e melhor, melhor ainda. Quando se vê, já não se vê mais nada.
Converse na praça da Matriz, em Nova Serrana. 08/07/08.
Como falei, é um assunto muito complexo. Há diversos fatores sobre os quais refletir/dicutir. Mas, sobre esse lance da fotografia, eu diria que gosto da fotografia analógica, tanto quanto gosto da digital. Diria até que cada qual tem suas aplicações. Para trabalho, uso uma, para lazer, me divirto com a outra. Acho que é isso.
Rodovia Carmen Duarte. Nova Serrana. 08/07/08.
Publiquei aqui as minhas preferidas com a Vivitar. O restante está no Flickr, para ver um slide-show com todas, clique aqui
[ Esse lance de slide-show é muito massa!!! descobri agora.
]
Acho que escrevi mais que o de costume. Mas, tá massa!
Té mais!
Update: Logo após terminar aqui, fiz um teste com um negativo das fotos feitas com a Vivitar. Escaneei ele e trabalhei as curvas de cor e contrastes no CS. O resultado final tá aqui:
Gostei dos efeitos. Só pra ilustrar o lance das possibilidades.