Gordo saldo bancário e a beleza à la Photoshop

Julho 18, 2008 by Gabriel Andrade

Texto bacana, sobre a “nova” geração de artistas brasileiros, audiovisuais, principalmente. Fala, basicamente, da falta de planejamento na concepção das idéias para a produção, dada às facilidades tecnológicas e baixo custo dos equipamentos, aliado ao contexto cultural, político e econômico atual.

Para ler, clique no link abaixo:

O artista em três gerações

Alguns tecos:

a nova tecnologia talvez tenha prejudicado o surgimento de novos bons diretores: “você deixa a câmera ligada o tempo todo e, por isso, muita gente não planeja mais o que vai filmar”.

Esse, aliás, talvez seja um dos motivos que faz com que a máxima glauberiana “uma câmera na mão, uma idéia na cabeça” tenha sido tão mal interpretada e descambado para a “porra-louquice”. A câmera continua à mão, cada vez mais potente. O que mudou foi a “idéia”: muitas vezes, ou ela inexiste ou é uma idéia de jerico. Noutros termos, ocorre no cinema o que ocorre em todas as outras artes. Seja na música, na literatura ou nas artes plásticas, as novas possibilidades tecnológicas, freqüentemente, acabam sendo uma ameaça ao trabalho do artista que não as vê como simples instrumentos. A arte não está em manejar bem a tecnologia, mas em fazer com que ela expresse toda uma concepção que, por mais que se preste à desconstrução do objeto, deve ser conscientemente fundamentada.

… é se há espaço hoje para um cinema contestador. O que motiva a geração atual, que presencia e faz acontecer a retomada do cinema brasileiro?

O modelo atual de sucesso é um gordo saldo bancário e a beleza à la Photoshop. Como desponta um gênio das artes em meio a isso?

Não desponta. Os sonhos coletivos foram pulverizados e levaram, consigo, o olhar crítico. O grande desafio para o artista atual é vencer o obstáculo da banalização, da insensibilidade e conseguir tocar as pessoas uma a uma. Contribuir para a reflexão e fazer com que elas voltem a sonhar e acreditar que ainda há como melhorar o mundo. Já mobilizá-las e aglutiná-las em torno de um sonho coletivo talvez seja pedir demais.

Penso que a geração atual tem condições de realizar obras de contestação, e motivos não faltam, mas concordo com o autor no que se refere à individualização e busca exacerbada pelo sucesso e conta bancária gorda. Não se apega à idéia, ou à sonhos coletivos, para que se construa uma obra realmente relevante, significativa e crie uma reflexão profunda na cabeça do povo.

Um professor meu sempre dizia: pensar e planejar, ANTES de fazer. Sempre.

Lê tudo lá! Vale a pena.

Nova Serrana, quarta-feira, 16/07/08, à noite

Julho 17, 2008 by Gabriel Andrade

Uma cidade adormece, quando os habitantes que vivem nela adormecem. Antes disso, ela descansa. Abre suas ruas, avenidas e jardins. Deixa que o ar corra mais puro, que a ausência da luz solar esfrie o concreto e as árvores que ainda sobram. Não um frio ruim, mas um frio que descansa, entende? Que diminui a circulação do sangue que corre durante todo o dia, e acalma. Repousa. Todas são assim, em maior ou menor grau, mas todas, ao final do dia, e decorrer da noite, descansam. Nova Serrana é assim – também.

Esta baixa temperatura e circulação de pessoas e carros sublimam sensações e lembranças para os que vivem, e viveram grande parte de suas vidas aqui, como eu. Algumas imagens que publico a seguir foram feitas nesta noite de quarta-feira, 16/07/08. Várias delas, me trazem outras e outras imagens à mente. Da infância, adolescência, da minha ainda juventude… A correria do dia-a-dia não nos permite observar com calma, os lugares por onde passamos, onde vivemos, onde crescemos, e talvez até, onde estamos.

Às vezes é bom parar pra olhar. Simplesmente olhar.

Torre da Matriz

A Torre da Matriz, em outro ângulo, e com outra luz. Fiz algumas outras dela, durante o dia, céu azul e talicoisa. Dessa vez, procurei mudar o foco. Ela tem uma luz boa na base, Contrasta bem com o céu noturno. É a primeira foto de quarta-feira de bobeira pelo centro.

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Pça. Pe. Libério

Essa praça eu descobri por acaso, hoje. Há alguns meses não passo por perto do local, e só agora, depois de um tempão de inaugurada, fui visitá-la. A praça leva o nome de um padre muito querido e tido como santo aqui na região, o Pe. Libério.

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Pe. Libério

Onde é a praça, hoje, foi há algum tempo atrás um cemitério que foi desativado anos atrás. Durante um bom tempo o terreno ficou vazio e o pessoal pediu, pediu, até que fizeram a praça. Passei 5 anos da minha infância na rua ao lado deste cemitério. Acho que dos 5 aos 10 anos.

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Pça. Pe. Libério

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Velha Infância

Nossa antiga casa, que não era bem nossa, ficava mais ou menos na altura onde está o carro nesta imagem. Muita coisa mudou por ali. Alguns prédios, asfalto, mais casas e lojas. Mas, os vizinhos ainda são os mesmos de quando morávamos ali; suas casas, intocáveis. É como viajar no tempo.

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Detalhe

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Pça. Pe. LIbério

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Rotatória da CTBC

Rotatória atrás da Igreja Matriz, emfrente ao que era o escritório da CTBC, operadora de telefonia que atende NS desde os primórdios da humanidade.

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Pe. José Luiz

A rua Pe. José Luiz, também conhecida como “rua de trás”. Foi a rua do Jornal Correio da Serra, e hoje é a rua do Jornal Gazeta NS. Foi, durante muitos anos, a mais extensa rua da cidade e ela era famosa por causa disso.

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Pe. Lauro

Avenida Pe. Lauro, antiga rua Santo Antônio. Bem no centrão da cidade. Umas das primeiras. Era a rua por onde eu ia todos os dias pra escola. Descia de manhã, voltava na hora do almoço. O meu mundo era ali, só ali.

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Avenida Pe. Lauro

Ainda lá.

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Avenida Pe. Lauro

E aqui.

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Rotatória da Biblioteca

Rotatória do Fórum, agora da Biblioteca. Abrigou os maiores comícios de Nova Serrana. Shows de Leandro e Leonardo, Kid Abelha, Alceu Valença, entre outros, estiveram aqui, neste pedaço do centro, onde termina a Dimas Guimarães, começa a São José e Pe. Lauro, e por onde passa a Antônio Martins.

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Antônio Martins

Falando nela, ó ela aqui: Antônio Martins.

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Rua São José

A São José.

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Rua São José/Bar do Tarzan

Onde fica o bar do Tarzan, que foi onde, na pré-adolescência, aprendi a jogar fliperama, fumar, e também conhecer os melhores amigos que tenho.

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Antônio Martins/Ginásio São José

Ainda na Antônio Martins, onde hoje fica a escolhinha Cantinho Feliz, era o antigo Ginásio São José, onde aprendi a ler, escrever e a dar (e tomar) porrada dos moleques. Além da alfabetização e das brigas, foi, também, onde eu descobri que podia me apaixonar.

Cel. Martinho Ferreira do Amaral

Junto com a Dimas Guimarãs, formam a espinha dorsal comercial da cidade. É uma rua extensa, e é a rua que liga o centro à BR 262.

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Dimas Guimarães/Frei Anselmo

Essa imagem é seguinte: por volta do finalzinho de 99 e início de 2000, eu ainda era entregador de jornais. Durante um bom tempo, eu fazia isso durante o dia, pois ele chegava na sexta na hora do almoço. Era foda entregar aquela pacoteira de jornais no sol rachando. Depois de um tempo eles começaram a chegar na quinta à noite. Aí mudei meu sistema. Saía, geralmente às 4h da manhã, e diversas vezes vi essa imagem. Hoje, quando fui fotografar, me lembrei disto.

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Cruzamento Raulino Pacheco e Dimas Guimarães

É um dos raros momentos em que se vê este trecho, no cruzamento entre Dimas Guimarães e Raulino Pacheco, totalmente vazio. O local fica pertinho do trecho anterior, e faz parte das minhas lembranças jornalescas.

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Dimas Guimarães

E esta também.

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Raul LIno Pacheco

É uma das avenidas mais bacanas para se fotografar em NS. Duas pistas, canteiro central bem iluminado e talicoisa. Eu não sei bem o que eu pretendia com esse ângulo, mas gostei.

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Rua São João

Esta é, tal como a Dimas Guimarães, uma das ruas que eu vejo ocasionalmente e guardava a imagem na cabeça, pra poder fotografar depois. Fotografar tem disso (acho). Ver e perceber uma imagem que se gosta, pra depois ir lá e conferir. As árvores são imensas, e lindas.

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Entrincheirado

Geometria de trincheira. Antes…

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Entrincheirado

… e depois.

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Espelho d'água

Estas últimas são de outra pça, nem tão recém inaugurada, mas que eu não visitei há meses. Todo mundo que eu conheço já havia passado por lá. Hoje resolvi andar por lá. Um frio desgraçado, mas um lugar muito bonito.

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Luz Natural

Com direito à luz natural, em plena noite.

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Espelho d'água

Uma brincadeira com espelhos…

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Jardins do Lago

… e uma panorâmica pra fechar.

Às vezes é bom parar pra olhar. Simplesmente olhar.

Leituras de férias

Julho 16, 2008 by Gabriel Andrade

Como comentei no post anterior, comprei alguns livros para ocupar (melhor?) meu tempo nestas férias.

A cor como informação, Luciano Guimarães, 2001.

Esse livro nos foi indicado nas aulas de Direção de Arte do semestre passado, como o subtítulo diz, ele fala sobre a “construção biofísica, linguística e cultural da simbologia das cores”. Dos três livros é o mais técnico, e eu também diria, mais chatinho. Mas, nem toda leitura é divertida, mas todas são importantes.

Neste, o autor coloca em discussão o significado e os usos das cores não apenas como elemento cultural. Há um capítulo inteiro dedicado à estudos biofísicos e neurológicos, que mostram como a cor é percebida e assimilada pelo ser humano. Há ainda informações imprescindíveis para um uso consciente da cor que são muito úteis para quem trabalha com comunicação visual.

Para jornalistas e publicitários, uma boa ferramenta.

Disponível na Livraria Cultura.

A fotografia do século XX, Museu Ludwig de Colónia, 2005.

750 páginas com os mais importantes e influentes fotógrafos do século passado. Formato pequeno (acho que 15×21), fácil de carregar. Em ordem alfabética, é um verdadeiro dicionário de fotógrafos. Os verbetes contém uma pequena biografia e três ou quatro fotos para ilustrar os trabalhos dos caras. Muita informação e foto bacana. Há uma pequena ficha técnica, abaixo de cada foto, que conta qual o tamanho da ampliação, data da foto e método usado na revelação.

O Museu Ludwig de Colónia, fica na Alemanha.

Me chamou a atenção um detalhe. O fotógrafo que abre o livro é Ansel Adams, um fotógrafo que foi apresentado por um grupo de estudos da minha sala, num trabalho da disciplina de fotografia. Eu nunca havia ouvido falar dele, mas gostei dos trabalhos que me foram apresentados. Agora, com o livro, descobri que o cara foi muito mais importante que eu imaginava. É sempre assim, quando a gente acha que já viu muita coisa, descobre que não viu quase nada.

Para quem curte, trabalha, ou quer trabalhar com fotografia, referências fantásticas.

Também na livraria cultura.

Sintaxe da Linguagem Visual, Dondis A. Donis, 2007.

Tal qual o primeiro livro, este é técnico até o talo, mas fantástico; e bem didático. Ele trata do alfabetismo visual, e as diversas técnicas para construir elementos visuais que possam ser assimilados por grande parte das pessoas com facilidade. Para isso, discorre sobre as origens das experiências visuais humanas, todo o trajeto percorrido até aqui, baseado em estudos psicológicos e fisiológicos. Apesar da leitura pesada, há inúmeras ilustrações que exemplificam bem estas técnicas. Ao final de cada capítulo, há exercícios de observação e análise de peças visuais, para assimilar melhor o conteúdo.

Na sinopse do livro, diz: “Vários exemplos ilustrados são usados para esclarecer os elementos básicos do design (a aprendizagem do alfabeto), para mostrar como eles são usados em combinações sintáticas simples (a aprendizagem de sentenças simples) e, finalmente, para apresentar a síntese significativa da informação visual como obra de arte acabada (a compreensão da poesia).”

Da mesma forma que aprendemos a ler, escrever e entender a linguagem escrita, pode-se aprender a ler e construir informações visuais a partir das técnicas apresentadas, criando um “texto” visual e facilitando, desta forma, a comunicação visual.

A autora do livro é professora de comunicação visual na Universidade de Comunicação de Boston, EUA.

A livraria cultura é o que há. Este também você encontra lá.

Ainda…

Julho 14, 2008 by Gabriel Andrade

… pensando no que fazer, escrever ou indicar aqui no blog. Julho é um mês meio morno. Acho que são as férias. Quando a gente pensa que vai ter mais tempo pra postar/escrever, descobre que esse tempo pode ser melhor aproveitado, seja viajando, revendo amigos, não fazendo absolutamente nada, ou, em último caso, assistindo tv.

Aí fica naquela:

“faço alguma coisa? ah, não, vou ficar a toa, estou de férias!!!! puta que pariu, as férias passaram e eu não fiz nada!!!”

Ainda com esse pensamento, comprei alguns livros pra aproveitar melhor o “tempo livre”. Alguns são bacaninhas e quando estiver bem disposto, posto sobre eles aqui. Fotografia, linguagem visual e estudo de cores. Li um e comecei outro. Técnicos, mas bem bacanas.

Fiz alguns testes de edição hoje. Como não tenho modelos disponíveis, me uso. Achei bacana o formato e o resultado final. O modelo não ajuda, mas…

boi da cara preta

É incrível como a gente é condicionado a sempre se ocupar de algo, (no meu caso, em grande parte, por obrigações de faculdade) do que simplesmente “bobeirar”. Tenho postado pouco, pelos motivos que falei logo ali, e pelo fato de querer mudar alguma coisa por aqui. Sei lá. Até pensei em apagar tudo e começar do zero, mas, já parei de pensar nisso. Mudar é sempre legal.

Acho que agora vou ver tv.

Fui!

Satyagraha

Julho 11, 2008 by Gabriel Andrade

Todo mundo, imagino, tá informado sobre as prisões do Pitta, Nahas e do banqueiro Daniel Dantas, pela Operação Satiagraha, da PF. Nos jornais, noticiários na tv e portais de notícias, não se fala em outra coisa. Tem até caderno especial pra bagaça. Mas, desde o primeiro dia, uma coisa me deixou encucado:

Que diabos significa “Satiagraha”? Geralmente os nomes das operações são bem esquisitos, mas sempre com nomes e termos que conhcemos. Bem, com a ajuda do Google e da Wiki, eis aqui a resposta:

Satyagraha é um têrmo sânscrito composto por duas palavras nesta língua: Satya, que pode ser traduzida como verdade; e agraha que pode ser traduzida como busca. Assim pode-se entender satyagrah como a “busca da verdade”, o “insistir pela verdade”.

Fonte: Wikipedia

:)

A Vivitar PN2011, reflexões sobre as diferenças entre analógica e digital e o esvaziamento de sentido nas nossas relações cotidianas

Julho 8, 2008 by Gabriel Andrade

Essa camereta abaixo é a mais nova integrante da minha pequena “coleção”. Acho que posso chamar assim. Sempre gostei de fotografia. E depois de (re)descobrir a fotografia analógica, tenho gostado de experimentar, e usar novas formas de captar imagens.

A pequena é uma Vivitar PN2011. Procurei artigos, verbetes na Wiki, e até na Camerapedia, mas não encontrei nada relacionado à ela. Numa busca pelo Flickr, encontrei vários adeptos, com fotos bem bacanas. As lentes dão um resultado muito legal nas cores, e ela tem um recurso muito interessante, que é o fotografia panorâmica. Na traseira tem um pequeno botão, que acionado, fecha duas tarjas pretas na frente da lente, o que cria um efeito cinematográfico, eu diria, nas fotos. Muito, muito leve. Toda de plástico e nem requer pilhas. Só botar filme e sair disparando.

Ela tem uma fotometragem fixa. O disparador (que é a velocidade de abertura) fica em 1/125, ou seja, 0.008 de segundo. O diafragma é fixo em f/8, o que em plena luz do dia, é uma configuração boa para fotografar. Fim do dia, tardinha, já não rola tanto. Encontrei uma imagem bacana para ilustrar qual é a abertura de que falo.

O f/8 a que me refiro acima, é o círculo do meio. Para a direita, o valor aumenta e a abertura diminui, e à esquerda, quanto maior a abertura, menor o valor. As lâminas se fecham, ou abrem, e é por essa abertura que a luz entra, sensibiliza o filme e cria a imagem fotográfica. O 0.008 segundo é o tempo dessa abertura.

Pois bem, acho que consegui explicar um pouco sobre a dita. Agora, seguem abaixo as primeiras fotos feitas com ela.

Conversando com uma amiga, falávamos sobre um assunto que até comentei aqui tempos atrás. Sobre a visão que as pessoas tem da fotografia. É complexo e muito amplo, pois essa prática tem várias aplicações, seja documental, como instrumento cronológico familiar (festas de aniversário, ocasiões especiais, reuniões), eventos, arte, etc. Cada aplicação/uso tem seus motivos, e quando se apega à um deles, fica naquela de achar que não serve pra mais nada. Algumas acham esquisito fotografar coisas banais, como um pedaço da cidade, céu, nuvens… e vivem me pergutando o porquê disso. Eu, sinceramente não sei ao certo a resposta. Sei que gosto das possiblidades de criação que a fotografia proporciona, seja ela LowRes, publicitária, jornalística, artística, e etc - também. É uma gama infinita de opções que se tem. Hoje em dia, com recursos digitais, fica fácil, prático, rápido e as infinidades, que já existiam na fotografia analógica, se multiplicaram absurdamente com a fotografia digital. Nem diria se multiplicaram, mas facilitaram, pois a base de toda a fotografia digital é a analógica, então, todos aquelas “mirabolâncias” fantásticas do Photoshop, vêm das possiblidades que já se aplicavam à prática antiga.

Auto-retrato nas portas da Credinova. Nova Serrana, 08/07/08.

Um outro ponto sobre o qual falamos, foi sobre o porquê de se querer fotografar com filme, pelo fato de nas digitais ser mamão no mel fazer tudo, muito mais rápido, sem margem de erro e com qualidade quase perfeita.

Por que? [ Eu nunca sei se é junto ou separado, se tem acento ou não, então fica assim. :P ]

Eu particularmente, gosto das duas práticas. A digital, pelos motivos que citei acima, e para se trabalhar com publicidade, nada melhor. Agiliza, economiza, sem margem de erro e bla bla bla. Apesar de que muita gente profissa ainda usa filme para fotografar. Aí tem que ser ninja ao extremo. Como sou um mero mortal, me curvo sobre a tecnologia.

Mas, trabalhar/fotografar com filme tem seu charme. Conhecer os princípios básicos da fotografia, luz, os processos pelos quais tem que se passar, para chegar num resultado final legal é um tesão fantástico. Isso cai naquilo que falei das possibilidades de criação que esse lance nos proporciona.

Lara Leg's

O Bresson tem uma chamada Martine Legs. Referenciei (ou reverenciei?) e fiz a Lara Leg’s.

No caso da Trip, da Smena e da Vivitar, é que elas são máquinas amadoras, com poucos recursos, e isso nos força a exercitar mais o olhar. Perceber melhor o que se fotografa, ficar mais atento à tudo a sua volta. Os olhos ficam sempre atentos, para todo e qualquer enquadramento, para que se pesque sempre o melhor peixe. Com as digitais, dá pra fazer isso, mas com a impossibilidade de erro, o lance fica banal, não se tem preocupações, todo momento por ser uma foto perfeita (e é fantástico isso - também). Então, se posso praticar isso da mesma forma com duas tecnologias distintas, porquê escolher uma que se dá mais trabalho? Talvez nem seja pela questão do trabalho em si. Acho que é a incerteza. Isso, incerteza. Porque trocar o certo pelo duvidoso?

Pon Chic

Esquina da rua Padre Libério com a São José. Perto do Bar do Tarzan. Nova Serrana, 08/07/08

Com todas estas facilidades digitais que surgem todos os dias, muito se perdeu, penso, em questão de aproveitar melhor, ou apreciar, e ainda, contemplar melhor tudo à nossa volta. Comentamos às vezes na faculdade, sobre o tempo em que CD era coisa de rico, e a gente sempre ouvia vinil, K7 e achava o máximo sempre que conseguia encontrar ou comprar um. Ficar 15 dias esperando o pagamento para comprar um disco novo. Isso no caso dos meus amigos mais velhos, eu nunca comprei um LP, fiquei sempre na K7. Lembro que comprei numa feira de sábado, em NS, uma fita do “Use You’re Illusion II”, do Guns. Voltei pra casa maravilhado e ouvi a mesma fita o fim de semana inteiro, num radinho vagabundo. Mas, aquilo era o céu. A fitinha rodou meses e meses. O tempo corria diferente.

Cinema? Só quando rolava algum na Tela-Quente, Cinema em Casa ou similares. Quando rolava, era o céu também. Mas, porque to falando do passado, de música e de cinema, se o que eu quero falar é sobre fotografia?

Auto na Frei Anselmo

Auto-retrato na vitrine do Sucão Lanches, na Praça Ana Rosa (Savon), com a Frei Anselmo lá atrás, refletida.

Vejamos, o tempo corria diferente, porque as coisas nos chegavam num ritmo mais lento. Havia todo um ritual por trás de todas as nossas ações. A ansiedade tomava conta da gente e quando as coisas aconteciam/surgiam, era fantástico. A significação, ou a relação da gente com as coisas era diferente. Era mais simbólico e importante. É isso que tento dizer sobre a fotografia com filme. Todo esse ritual de aprender as técnicas, conhecer o equipamento, escolher o filme adequado, colocá-lo na máquina, pensar e calcular antes de um disparo, ou até mesmo disparar sem saber o resultado, para que só depois de revelado, saber como ficou, cria toda uma atmosfera mais significativa em torno da foto.

Veja bem, não estou dizendo que esta prática seja melhor que aquela. A foto digital é fantástica. Mas, penso que as facilidades (e isso nem só na fotografia, mas em relação à entretenimento, tudo ficou fácil demais), a saturação de opções esvazia de sentido as nossas relações com as coisas. Fico muito banal. É rápido, fácil, então não se preocupa em manter. Há sempre algo novo, melhor que o anterior, para consumir, desgastar e passar para a próxima, sem refletir sobre o que é, porque é e como é. Um disco, filme, um livro, todos novos, todos os dias. É maravilhoso ter acesso à isso, fácil e rápido. Mas há que se frear às vezes. A ansiedade faz parte da nossa natureza. Quanto mais, melhor. Quanto mais e melhor, melhor ainda. Quando se vê, já não se vê mais nada.

Converse

Converse na praça da Matriz, em Nova Serrana. 08/07/08.

Como falei, é um assunto muito complexo. Há diversos fatores sobre os quais refletir/dicutir. Mas, sobre esse lance da fotografia, eu diria que gosto da fotografia analógica, tanto quanto gosto da digital. Diria até que cada qual tem suas aplicações. Para trabalho, uso uma, para lazer, me divirto com a outra. Acho que é isso.

Esperando

Rodovia Carmen Duarte. Nova Serrana. 08/07/08.

Publiquei aqui as minhas preferidas com a Vivitar. O restante está no Flickr, para ver um slide-show com todas, clique aqui

[ Esse lance de slide-show é muito massa!!! descobri agora. :P ]

Acho que escrevi mais que o de costume. Mas, tá massa!

Té mais!

:)

Update: Logo após terminar aqui, fiz um teste com um negativo das fotos feitas com a Vivitar. Escaneei ele e trabalhei as curvas de cor e contrastes no CS. O resultado final tá aqui:

Gostei dos efeitos. Só pra ilustrar o lance das possibilidades.

Memória Roda Viva

Julho 7, 2008 by Gabriel Andrade

Uma porção de entrevistas bacanas, agora disponíveis on-line, do melhor programa de entrevistas da tv brasileira: Roda Viva.



Memória Roda Viva

E o melhor, com as transcrições na íntegra de todas os programas, para poder imprimir e ler na boa. Convenhamos, assistir vídeos com mais de 5 minutos na internet é um saco. E como são entrevistas, ler é mais legal!

:)

Brincando com a luz do sol num fim de tarde de inverno

Julho 7, 2008 by Gabriel Andrade

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Na rodoviária, da rodoviária, o táxi amarelo e em algum lugar em Minas Gerais

Julho 7, 2008 by Gabriel Andrade

Visões cotidianas.

rodoviária de nova serrana

Da rodoviária, em Nova Serrana

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nova serrana da rodoviária

Nova Serrana, vista da rodoviária

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a caminho de divi

Ainda na rodoviária

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Em outra rodoviária, que não aqui.

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yellow cab

Recorte de cor

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yellow cab

Observe sem encostar.

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em algum lugar em minas

Em algum lugar em Minas Gerais

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em algum lugar em minas

Recorte monocromático

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“Na verdade, não estou interessado na fotografia em si. A única coisa que quero é captar uma fração de segundo da realidade.”

Henri Cartier-Bresson

Ta ta ta ta ta ta ta

Julho 3, 2008 by Gabriel Andrade

A revolta em si nem seria motivo de riso, mas a edição do vídeo ficou demais. Nelson Rodrigues estava certo, o Brasil é o único país do planeta que consegue fazer piada da própria desgraça.

De qualquer forma, parabéns para a dona Solange, a revoltada de Ilhéus.

:D

Minha conexão

Julho 2, 2008 by Gabriel Andrade

minha conexão

Vendendo o peixe 128

Julho 1, 2008 by Gabriel Andrade

Enfim, chega as lojas de calçados de grande parte do país a revista para a qual trabalho: RISA Revista do Calçado. Trimestral, com tiragem de 10 mil exemplares e média de 150 páginas por edição. Ela é constituída de matérias voltadas ao setor atacadista de calçados. Estes, que são a base econômica da cidade em que moro: Nova Serrana.

A edição nº 36 é especial de 10 anos de publicação. Eu ainda não pude buscar a revista, mas creio que a logo, especialmente em tons dourados, tem uma laminação especial. Quando estiver com ela em mãos, conto aqui como ficou.

Bem, tenho publicado ao longo deste e do ano passado, alguns dos trabalhos que desenvolvo como editor de imagens e criação publicitária. Nem diria publicitária, mas faço o que posso dentro que me é permitido. Estudo Publicidade e Propaganda, também, por isso. Vou tentar explicar um pouco sobre como é a demanda local por este tipo de trabalho.

A revista é uma mídia, e teoricamente não tem que se preocupar com as peças publicitárias que são veiculadas nela. Isso (teoricamente, também) seria papel das agências de publicidade. Mas, o mercado local é abarrotado de indústrias, grandes, médias e pequenas. E nem todas dispõe de grana, orientação e tempo para se dedicar, ou deixar que alguém tome conta deste setor. As coisas estão mudando, mas num ritmo bem devagar. Pois bem, o lance é que a ausência deste tipo de trabalho, força a própria revista a desenvolver tais peças para os anunciantes. É aí onde eu entro. Faço um contato com o cliente, tento buscar o máximo de informações possíveis, pego os produtos, fotografamos, montamos e aprovamos. Orientamos alguns clientes a buscarem outros meios desenvolver suas peças junto a agências, de acordo com todo um planejamento de comunicação. Mas, nem todos aceitam, os preços e métodos de trabalho. E a vida segue.

Muitos dos trabalhos desenvolvidos na revista acabam virando outras peças. Eles meio que servem de base visual para que se crie outros trabalhos, como embalagens, banners, catálogos, sites, tags, enfim, em alguns casos, toda a estrutura visual da empresa acaba partindo do que é criado/publicado.

A revista, basicamente, é um guia para lojistas. Tentamos ressaltar, ou chamar a atenção, para cores predominantes da estação, detalhes dos produtos, com fotos bem definidas e aliado à isso, um visual bacana. Os calçadistas, com pesquisas de mercado e desenvolvimento de produtos, buscam fabricar o que é geralmente é o mais procurado pelo público.

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Este e o anterior, ressaltam bem as cores do produto, deixando a página mais clean para que se tenha uma melhor visão do produto e os materiais com os quais ele foi fabricado. Toques sutis de cores, para criar uma harmonia bacana, e claro, um texto para completar a peça.

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Escolhi este por um motivo. Ele ilustra bem o que geralmente são as peças da revista. Diversos modelos de calçados infantis, masculinos e femininos, para quase todos os estilos. E esse aí me deu um trabalho a mais. Alguns dos produtos vem com luzinhas em seu solado. Fotografar isso é complicado. O que me resta a fazer é criar estas luzes digitalmente. Após a montagem completa, duplico e fecho o arquivo, crio uma camada separada em outro, converto em RGB, aplico os efeitos e volto com a camada inteira para o arquivo original, retocando as manchas que geralmente estes efeitos ocasionam nos produtos, deixando somente as luzes originais. Vixe! Acho que vou ter que fazer um post só sobre isso. rs

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Em alguns casos é preciso conhecer bem o cliente, saber de preferências pessoais, para desenvolver o trabalho com mais facilidade. Mas, isso não quer dizer o “faça o que se pede” literalmente. Depois de saber o que ele mais gosta, tenta-se, de alguma forma, aliar o que funciona, o que daria um resultado melhor, para a empresa e para o produto, para que se faça um bom anúncio.

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Ainda sobre ressaltar as qualidades do produto. Este tênis adventure, tem um solado muito bacana, com a logo da empresa injetada, em vermelho, no centro do solado. Fiz uma foto macro da sola e inseri isso como centro da peça, aliado ao “adventure por natureza” e os elementos visuais que ambientam o produto na atmosfera adventure, ficou fácil criar um anúncio coeso e bonito. Bem, sou suspeito pra falar. rs

Bom, é isso! Se rolar algum trampo similar, tamos aí.

Té!

:)